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Descrição
Houve em tôda Babilónia
Passados misteriosos
Que às vêzes assombraram
Os entes mais corajosos
Como também destruiram
Alguns seres invejosos.
Pelo menos existia
Numa populosa aldeia
U'a moça muito rica
Porém, sendo muito feia
Não tinha quem a quizesse
Nem por uma hora e meia.
Chamava-se Messalina
Feia, magra e amarela
Tinha ciume das môças
Fôsse esta, fôsse aquela
Pois, todo rapaz bonito
Só queria para ela.
Vamos deixar Messalina
Mergulhada na feiura
Para seguirmos no rumo
Duma linda criatura
Môça pobre, porém, tinha
Fé, bondade e formusura.
Chamava-se ela Maria
Uma linda camponesa
Que não possuia nada
Porém, a Mãe Natureza
Ofertou-lhe uma coroa
Com os dotes da beleza.
E no tal príncipe encantado
Alguém falava de sobra
Que aparecia às môças
Transformado numa cobra
Porém, ninguém na aldeia
Acreditava na "obra".
Até que a camponesa
Certo dia, trabalhando
Numa roça sertaneja
Ela viu se aproximando
Uma enorme serpente
Que com calma foi falando:
Eu sou um príncipe encantado
Dou-te as honras de princesa
Se aceitares meu amor
Hoje com tôda certeza
Quando chegares em casa
Acharás grande riqueza.
No mesmo instante que fôr
O enlace terminado
Eu entrarei para o quarto
Na água serei banhado
Quebrar-se-ão os encantos
Ficarei desencantado.
Quando correu a notícia
Que a môça ia casar
Com uma cobra horrenda
Todo povo foi olhar
Até Messalina, a feia
Também foi testemunhar.
No mesmo instante a serpente
Em um príncipe transformou-se
Abriu o seu guarda-roupa
Urgentemente trajou-se
Abriu a porta, sorrindo
E ao povo apresentou-se.
Quando viram aquela cena
Tiveram raiva de sobra
Pois por falta de coragem
Perderam aquela manobra
Cada uma que quizesse
Casar-se com uma cobra.
E a rica Messalina
Dise: Chegou minha hora
Com tôda essa feiura
Vou por êste mundo afora
Em procura duma cobra
Para me casar agora.
Assim Messalina foi
Com a sua idéia má
Encontrou um cascavel
Em um pé de manacá
Contendo já vinte e cinco
Enrugas no maracá.
Nessa hora o cascavel
Que já estava assanhado
Deu um bote em Messalina
Que ficou dependurado
Ela disse: Foi um beijo
Que levei de meu amado.
Assim morreu Messalina
A feia, rica, orgulhosa
E Maria foi feliz
Porque não era invejosa
Enquanto o orgulho morre
A humildade é quem gosa.
Por Manuel de Almeida

