Com o pensamento em Deus
Irei ver como consigo
Apresentar dois rapazes
Sob o signo do perigo
Para ver se há quem diga
Qual dos dois é mais amigo.
Um dos amigos se chama
Antônio Lira Romano
Filho natural de Patos
No sertão paraibano
Que abandonou os pais
Com um destino tirano.
O outro amigo, é chamado
José Amaro Santana
Nasceu em Caruarú
Cidade pernambucana
De onde fugiu, deixando
Uma tristeza tirana.
Assim êsses dois meninos
Tornaram-se bons amigos
Na defêsa um do outro
Enfrentaram até perigos
Pois viram-se varias vêzes
Em lutas com inimigos.
Foram para Argentina
E com êsse capital
Lá se estabeleceram
No comércio principal
Com uma casa de jóias
De valor Especial.
Estavam muito felizes
Com essa sociedade
Mas o destino jogou-os
Na maior fatalidade
Porque a desgraça anda
Atrás da felicidade.
Estavam os dois mascarados
Um c'um revólver na mão
O outro com um punhal
E disseram: Meu patrão
Ou nos entrega o dinheiro
Ou morre sem confissão.
E no mesmo pulo deu
Uma pesada bem dada
Na barriga do ladrão
Que com a dor da pancada
Só fez soltar o revólver
E caiu sem fazer nada.
Um soldado de policia
Nessa hora alí passou
Prendeu José em flagrante
O ladrão inda falou,
Disse: Esta pasta é minha
Este ladrão me matou.
Quando José foi a juri
Tinha um advogado
Porém, nada conseguiu
Porque foi sentenciado
A morrer em cinco meses
Numa corda pendurado.
José foi, disse a Antônio:
O que sinto no meu peito
E' morrer sem ver meus pais
Ah! se eu tivesse um jeito
Pois morrendo abençoado
Morria mais satisfeito.
Antônio disse - Tem jeito
Se o govêrno aceitar
Eu fico prêso e você
Vai os seus pais visitar
E se não voltar no praso
Eu cá morro em seu lugar.
Até que findou-se o praso
E José não foi chegado
Antônio foi para praça
Para ser executado
Em lugar do seu amigo
Conforme foi combinado.
O carrasco fez o laço
O seu pescoço laçou
Quando foi puchando a corda
Ouviu um grito e parou
Era José que gritava
O criminoso chegou!
Podem soltar meu amigo
Tiram logo a corda dêle
Que ia morrer por mim
Agora morro por êle
Pois o crime está em mim
E a inocencia está nêle.
Nessa hora o Presidente
Vendo tanta fieldade
Disse entre vocês dois
Há tanta sinceridade
Que já estão perdoados
Em nome da Divindade.
Por Manuel de Almeida
Irei ver como consigo
Apresentar dois rapazes
Sob o signo do perigo
Para ver se há quem diga
Qual dos dois é mais amigo.
Um dos amigos se chama
Antônio Lira Romano
Filho natural de Patos
No sertão paraibano
Que abandonou os pais
Com um destino tirano.
O outro amigo, é chamado
José Amaro Santana
Nasceu em Caruarú
Cidade pernambucana
De onde fugiu, deixando
Uma tristeza tirana.
Assim êsses dois meninos
Tornaram-se bons amigos
Na defêsa um do outro
Enfrentaram até perigos
Pois viram-se varias vêzes
Em lutas com inimigos.
Foram para Argentina
E com êsse capital
Lá se estabeleceram
No comércio principal
Com uma casa de jóias
De valor Especial.
Estavam muito felizes
Com essa sociedade
Mas o destino jogou-os
Na maior fatalidade
Porque a desgraça anda
Atrás da felicidade.
Estavam os dois mascarados
Um c'um revólver na mão
O outro com um punhal
E disseram: Meu patrão
Ou nos entrega o dinheiro
Ou morre sem confissão.
E no mesmo pulo deu
Uma pesada bem dada
Na barriga do ladrão
Que com a dor da pancada
Só fez soltar o revólver
E caiu sem fazer nada.
Um soldado de policia
Nessa hora alí passou
Prendeu José em flagrante
O ladrão inda falou,
Disse: Esta pasta é minha
Este ladrão me matou.
Quando José foi a juri
Tinha um advogado
Porém, nada conseguiu
Porque foi sentenciado
A morrer em cinco meses
Numa corda pendurado.
José foi, disse a Antônio:
O que sinto no meu peito
E' morrer sem ver meus pais
Ah! se eu tivesse um jeito
Pois morrendo abençoado
Morria mais satisfeito.
Antônio disse - Tem jeito
Se o govêrno aceitar
Eu fico prêso e você
Vai os seus pais visitar
E se não voltar no praso
Eu cá morro em seu lugar.
Até que findou-se o praso
E José não foi chegado
Antônio foi para praça
Para ser executado
Em lugar do seu amigo
Conforme foi combinado.
O carrasco fez o laço
O seu pescoço laçou
Quando foi puchando a corda
Ouviu um grito e parou
Era José que gritava
O criminoso chegou!
Podem soltar meu amigo
Tiram logo a corda dêle
Que ia morrer por mim
Agora morro por êle
Pois o crime está em mim
E a inocencia está nêle.
Nessa hora o Presidente
Vendo tanta fieldade
Disse entre vocês dois
Há tanta sinceridade
Que já estão perdoados
Em nome da Divindade.
Por Manuel de Almeida


