Documento
Metadados
Descrição
Vou falar nesse cordel
Que está começando agora
Dos adágios populares
E começo sem demora
Como meu avô dizia:
Quem cochila perde a hora
Um ditado das antigas
Revela a verdade pura
Todos sabem decorados
Que água mole em pedra dura
(Revelando a persistência)
Tanto bate até que fura.
Quem se apressa come cru.
Diziam os antepassados
É por isso que os baianos
Vivem muito sossegados
E o gato sem ter vexame
Nasce de olhos fechados.
Tem gente com pensamento
Que o perfeito só é ele
Nas pessoas desse mundo
Vê defeito, menos nele,
O macaco infelizmente
Nunca olha o rabo dele.
Se tu andas com os justos
Sua nota é sempre dez
Mas se vives com malandros
Tu mereces uns pontapés
Pois me diga com quem andas
Que eu te digo quem tu és.
Se você acha que o novo
É melhor que o coroa
Essa sua fraca idéia
Está lhe deixando a toa
Pois panela velha é
A que faz comida boa.
Eu já vi analfabeto
Rezar missa como um frei
“Se não tem tu, vai tu mesmo”
E dito vira a lei
Em terra que só tem cego
Quem tiver olho é rei.
Essa ruma de conselhos
Será que tem serventia?
Eu vou concluir dizendo
Como minha avó dizia:
Se conselho fosse bom
Não se dava, se vendia.
Por Izaías Gomes de Assis

