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Descrição
Luiz Gonzaga é rei
Nas paragens do sertão
Ele é o rei do forró
Xaxado, xote e baião
Todos nossos forrozeiros
Se espelham no Gonzagão
Lá em mil e novencentos
E doze esse foi o ano
Nasceu o Luiz Gonzaga
Um vate pernambucano
No município de Exu
Na luz de Deus soberano
O seu pai Seu Januário
Era grande sanfoneiro
No fole de oito baixos;
O pé-de-bode brejeito
Nele Luiz se inspirou
Pra ser grande forrozeiro.
Quando era rapazote
Luiz Gonzaga brejeiro
Inventou de namorar
A filha de um fazendeiro
O velho disse pra filha
Luiz é um maloqueiro.
Santana, mãe de Luiz
Ficou logo enjuriada
Arruma as cordas na feira
Vai para a casa apressada
Com corda de caroá
Deu-lhe uma surra danada
Luiz ficou macumbuzo
Uma semana de fato
Pela surra que lhe deram
Achou ter sido mal trato
E resolveu viajar
Para a cidade de Crato
Lá vendeu sua sanfona
Com muita dor e tristeza
Botou o pé na estrada
Foi parar em Fortaleza
Se alistou no exército
Para ter maior destreza
Ali serviu seus dez anos
No exercito brasileiro
Depois de lá arribou
Para o Rio de Janeiro
Pois seus grande destino era mesmo
Ser um grande forrozeiro
Nas noitadas cariocas
Nos salões em burburinhos
Começou a tocar tango
Também a valsa e chorinho
Como grande instrumentista
Foi abrindo seu caminho
Tocava mais não cantava
Mudo como um jerimum
Dia quatorze de março
Do ano quarenta e um
Gravou seu primeiro disco
Quebrando aquele jejum
quando viu a terra ardendo
igual fogueira de São João
chemou Humberto Teixeira
e falou: meu amigão
quero uma música que fale
das coisas lá do sertão
assim gravou Asa Branca
em 18 rotação
num disco que parecia
mesmo um grande bolachão
e no sucesso estourou
logo o grande Gonzagão
gravou centenas de discos
fez uma grande carreira
se botarem suas músicas
em uma grande fileira
garanto que é mais alta
que o Pico da Bandeira.
Por José Antônio dos Santos

