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PARTE III (OU CONTINUA A 2)
Na vila de Santa Brígida
Residia um sapateiro
Chamado Zé de Neném,
Um homem justo e ordeiro,
Que só com trabalho honesto
Conseguia algum dinheiro.
Casado com uma jovem
Morena, risonha e bela,
Por nome Maria Déa,
Quente como uma panela
Na hora que está no fogo
Quando alguém cozinha nela.
Até que sem esperar,
Apareceu Virgolino
Com o seu grupo valente,
Lutando contra o destino,
Entrando naquela vila
No terreno nordestino.
Maria, sabendo disso,
Seu coração disparou,
Foi à casa da mãe dela
Logo da porta gritou:
- Mamãe eu estou feliz!
Sabe, Lampião chegou!
Pergunta a velha assustada:
- E por que essa alegria?
Maria disse, sorrindo:
- É isso o que eu mais queria
E lhe digo: há muito tempo
Eu esperava esse dia.
Quero que a senhora vá
Hoje conversar com ele
E dizer à viva voz
A paixão que eu tenho nele,
E diga que eu só sossego
Quando for a mulher dele!
Virgolino disse à velha:
- Quero vê-Ia frente a frente!
Logo ela trouxe Maria,
Que, sorrindo de contente,
Disse: - Que prazer em vê-lo,
Adoro um homem valente!
Virgolino então falou:
- Mas você já é casada?
Ela disse: - Mas o meu
Marido não é de nada.
É um sapateiro frouxo,
Nunca deu uma brigada.
Ela disse: - Capitão,
Eu também não sou medrosa.
Tendo um rifle e um punhal,
Brigo e não fico nervosa.
Também na cama sou quente,
Fascinante e carinhosa!
Sem pensar em nada mais,
Lampião, já dominado,
Pôs Maria na garupa
Do seu cavalo selado...
Levando a linda baiana,
Seguiu bem acompanhado.
Era Maria o respeito
Dos cabras de Lampião.
Todo mundo a venerava,
Com muita admiração,
Era uma espécie de deusa
A mulher do capitão.
Logo aí outros bandidos,
Invejando Virgolino,
Trouxeram também mulheres
Por capricho do destino:
Muitas trazidas à força
Praquele bando assassino.
Aqui termina a história
Do famoso Virgolino.
Se foi bandido ou herói,
Se foi santo ou assassino,
Isso não posso afirmar.
Eu deixo o mundo julgar,
Não o poeta Firmino.
Por João Firmino Cabral

