Documento
Metadados
Descrição
PARTE II
Depois das primeiras mortes,
Não teve mais paradeiro.
Agora as autoridades,
Sem saber o seu roteiro,
Perseguiam dia e noite
O temível cangaceiro.
Com apenas vinte anos,
Tão jovem, tão perseguido,
Pelas tropas de polícias
Virgolino era seguido.
Assim um bom lavrador
Transformou-se num bandido.
Cada dia ia juntando
No seu grupo mais bandidos,
Jovens sem experiência
Dos coronéis perseguidos
No bando de Virgolino
Eram por ele acolhidos.
Antes havia encontrado
O grande Sinhô Pereira
Que lhe aceitou no seu bando
Fez-se uma só cabroeira
Que enfrentava as volantes
Em batalha carniceira.
Depois o Sinhô Pereira,
Abandonou o cangaço,
Mas Virgolino seguiu,
Sem mostrar nenhum fracasso,
Mostrando que era duro
Como uma peça de aço.
Prosseguiu na vida errada,
Sem descanso ou paradeiro,
Perseguido das volantes,
Correndo no tabuleiro,
Temido e considerado
Como o maior cangaceiro.
Mas antes, Sinhô Pereira,
Nas paragens do sertão,
Tinha posto um apelido
No famoso valentão:
Quem antes foi Virgolino
Passou a ser Lampião.
Pois diziam que seu rifle,
Na hora que disparava,
O fogo era tão terrível
Que o sertão iluminava.
Assim aquele apelido
Igual a cola pegava.
Por João Firmino Cabral

