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Descrição
Com o dom que Deus me deu
Vou até pra Nicarágua
Faço rima, conto estórias,
Sem guardar rancor ou mágoa
Vou narrar hoje a vida
Do grande João Bebe-Água...
Nascera em São Cristóvão
Em 1823
Era um autodidata
Com talento de burguês
E tinha grande domínio
Sobre o nosso português...
Na Câmara de São Cristóvão
Trabalhou como fiscal
Foi um bom trabalhador
Um exímio profissional
Com um amor invejável
Pela antiga capital...
João ganhou esse apelido
Por causa do paladar
Cachaça de todo tipo
Gostava de apreciar
Ficou então Bebe-Água
A água que faz tombar...
Pra defender São Cristóvão
Ele subia qualquer serra
Pra lutar por sua cidade
Entrava em qualquer guerra
Foi o maior defensor
Dos ideais da sua terra...
Mas ele tava sozinho
Na guerra contra o progresso
Seu discurso foi em vão
Não teve nenhum sucesso
Seu protesto não valeu
Se conteve no regresso...
O (Sr.) Inácio Joaquim Barbosa
Assinou a resolução
Que resultou em protestos
De toda a população
Deu fim a economia
Daquela ampla região...
Isso em 1855
Quando ocorreu a mudança
De São Cristóvão pra Aracaju
Um tempo de esperança
Mas João não se conformou
Planejou sua vingança...
Por que ele era membro
Do partido liberal
Que faliu em conseqüência
Da mudança da capital
Pro povo de São Cristóvão
Fizeram um grande mal...
Fez então um juramento
Um tanto descomunal
De nunca pisar na terra
Que era a nova capital
De não ir a Aracaju
Nem em tempo de Natal...
O seu feito grandioso
Não se passou por banal
Mas morrera obcecado
Por um retorno irreal
São Cristóvão nunca mais
Seria a capital...
Quanto ao dia de sua morte
Eu não tenho a exatidão
Só se sabe que a cidade
Perdera um guardião
Que ficou para a história
O seu maior anfitrião...
Por Chiquinho do Além Mar

