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Sílvio Romero (Sílvio Vasconcelos da Silveira Ramos Romero), foi crítico, ensaísta, folclorista, polemista, professor e historiador da literatura brasileira, nasceu em Lagarto/SE em 21 de abril de 1851, e faleceu no Rio de Janeiro/RJ em 18 de julho de 1914. Convidado a comparecer à sessão de instalação da Academia Brasileira de Letras, em 28 de janeiro de 1897, fundou a Cadeira nº 17, escolhendo como patrono Hipólito da Costa (1774-1823) .
Foram seus pais o comerciante português André Ramos Romero e Maria Joaquina Vasconcelos da Silveira. Na cidade natal iniciou os estudos primários, cursando a escola mista do professor Badu. Em 1863, partiu para a corte, a fim de fazer os preparatórios no Ateneu Fluminense. Em 68, regressou ao Norte e matriculou-se na Faculdade de Direito do Recife. Formou, ao lado de Tobias Barreto (que cursava o 4ª. ano quando Sílvio se matriculou no primeiro) e junto com outros moços de então, a Escola do Recife, em que se buscava uma renovação da mentalidade brasileira. Sílvio Romero foi, no início, positivista. Distinguiu-se, porém, dos que formavam o grupo do Rio, onde Miguel Lemos levava o comtismo para o terreno religioso. Espírito mais crítico, Sílvio Romero se afastaria das ideias de Comte para se aproximar da filosofia evolucionista de Herbert Spencer (1820-1903) , na busca de métodos objetivos de análise crítica e apreciação do texto literário.
Estava no 2º ano do curso de Direito quando começou a sua atuação jornalística na imprensa pernambucana, publicando a monografia A poesia contemporânea e a sua intuição naturalista. Desde então, manteve a colaboração, ora como ensaísta e crítico, ora como poeta, nas folhas recifenses, entre estas A Crença, que ele próprio dirigia juntamente com Celso de Magalhães (1849-1879) , o Americano, o Correio de Pernambucano, o Diário de Pernambuco, o Movimento, o Jornal do Recife, a República e o Liberal.
Assim que se formou, exerceu a promotoria em Estância/SE. Atraído pela política, elegeu-se deputado à Assembleia provincial de Sergipe, em 1874, mas renunciou, logo depois, à cadeira. Regressou à Recife para tentar fazer-se professor de Filosofia no Colégio das Artes.
Realizou-se o concurso no ano seguinte e ele foi classificado em primeiro lugar, mas a Congregação resolveu anular o concurso. A seguir, defendeu tese para conquistar o grau de doutor. Nesse concurso Sílvio Romero se ergueu contra a Congregação da Faculdade de Direito do Recife, afirmando que "a metafísica estava morta" e discutindo, com grande vantagem, com professores como Tavares Belfort e Coelho Rodrigues. Abandonou a sala da Faculdade; foi então submetido a processo pela Congregação, atraindo para si a atenção dos intelectuais da época. Em fins de 1875, transferiu-se para o Rio de Janeiro. Foi para Parati, como juiz municipal, e ali demorou-se dois anos e meio. Em 1878, publicou o livro de versos Cantos do fim do século, mal recebido pela crítica da corte. Depois de publicar Últimos harpejos, em 1883, abandonou as tentativas poéticas. Já fixado no Rio de Janeiro, começou a colaborar em O Repórter, de Lopes Trovão. Ali publicou a sua famosa série de perfis políticos. Em 1880 prestou concurso para a cadeira de Filosofia no Colégio Pedro II, conseguindo-a com a tese Interpretação filosófica dos fatos históricos. Jubilou-se como professor do Internato em 2 de junho de 1910. Fez parte também do corpo docente da Faculdade Livre de Direito e da Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais do Rio de Janeiro.
No governo de Campos Sales (1841-1913), foi deputado provincial e depois federal pelo Estado de Sergipe. Nesse último mandato, foi escolhido relator da Comissão dos 21 do Código Civil e defendeu, então, muitas de suas ideias filosóficas. Na imprensa do Rio de Janeiro, Sílvio Romero tornou-se literariamente poderoso. Admirador incondicional de Tobias Barreto, nunca deixou de colocá-lo acima de Antônio de Castro Alves (1847-1871); além disso, manteve, durante algum tempo, uma certa má vontade para com a obra de Machado de Assis. Sua crítica injusta motivou Lafayette Rodrigues Pereira a escrever a defesa de Machado de Assis, sob o título Vindiciae. Como polemista deve-se mencionar ainda a sua permanente luta com José Veríssimo, de quem o separavam forte divergências de doutrina, método, temperamento, e com quem discutiu violentamente. Nesse âmbito, reuniu as suas polêmicas na obra Zeverissimações ineptas da crítica (1909).
Sílvio Romero foi um pesquisador bibliográfico sério e minucioso. Preocupou-se, sobretudo, com o levantamento sociológico em torno de autor e obra. Sua força estava nas ideias de âmbito geral e no profundo sentido de brasilidade que imprimia em tudo que escrevia. A sua contribuição à historiografia literária brasileira é uma das mais importantes de seu tempo.
Era membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, sócio correspondente da Academia das Ciências de Lisboa e de diversas outras associações literárias.
Lendas e Mitos
Quem não conhece os contos de fadas Branca de Neve, Rapunzel, João e Maria? Estas narrativas faziam parte da tradição oral, eram passadas de boca em boca, de geração para geração, de pais para filhos. No século XIX, esses contos foram registrados pelos irmãos Grimm, historiadores com formação em linguística. As histórias atravessaram os mares nas caravelas portuguesas e, seguindo o ditado "Quem conta um conto, aumenta um ponto", foram ganhando nosso território e, junto a isso, uma personalidade brasileira propiciada principalmente pela mistura com as culturas indígenas e africanas. Os mitos são os mesmos, o herói: a madrasta, seres encantados - mas são apresentados de forma bem diferente: ao lado de um palácio, um engenho; ao invés de um príncipe charmoso, um malandro bem esperto. E é nesse ponto da história que aparece um personagem: Silvio Romero. Crítico, ensaísta, folclorista, professor e historiador da literatura brasileira, nasceu em Lagarto, Sergipe, em 21 de abril de 1851. Assim gomo os irmãos Grimm, Romero recolheu histórias da oralidade popular e as registrou em sua obra Canto e Contos Populares do Brasil (1885).
Silvio Romero possibilita não só encontrarmos curiosos paralelos entre culturas, como a Cinderela que virou Maria Borralheira, mas conhecer animais personificados de cujas atitudes tiramos conselhos e exemplos. Em suas páginas conseguimos "ouvir" a voz de nossas avós contando histórias.
Nossos Cabras/ Texto da Galeria
Silvio Romero
Um polemista radical, esta era a opinião que de mim tinham os meus contemporâneos. Eles me achavam um homem irascível, desconfiado, suspicaz talvez, e, ainda por cima, belicoso. De fato, minha vocação natural para a polémica passou à história, mas quero deixar claro que sempre se limitou à esfera intelectual, eu nunca passei às vias de fato. Fui considerado por muitos um incoerente porque eu, republicano, não acreditava na imposição do fim da escravidão. É muito fácil impor a abolição da escravatura e largar esse povo todo sem condições de ter uma vida 'decente. Eu não acredito que isso tenha de ser fruto de uma imposição.
Abolição é uma necessidade da sociedade, tem de ser um processo natural, espontâneo e não forçado. Um pouco como as águas do lindo rio Sergipe, que naturalmente deságuam pacíficas no oceano. Ah, Sergipe del—Rey! Não existe no Brasil lugar onde a lira popular seja mais sonora, o folclore mais rico, as festas mais animadas, as danças mais ardentes, os lundus mais chorados. O povo sergipano é amorável, bondoso, hospitaleiro. Tudo que sinto do povo brasileiro, vem principalmente da minha terra. E do curso manso dos seus rios. Então lembre: por mais que tenha vontade de resolver tudo hoje, não adianta apressar o rio, ele sempre vai correr sozinho.
Fonte:
Academia Brasileira de Letras - Sílvio Romero - Biografia http://www.academia.orp..br/abl/cgi/cgilua.exe(sys/start.htm 196.
Sugestões de Leitura
🕮 ROMERO, Silvo. Cantos Populares do Brasil. Tomo I e II. Edição anotada por Luís da Câmara Cascudo e ilustrada por Santa Rosa. Rio de Janeiro: José Olympio, 1954. (Coleção Documentos Brasileiros, dirigida por Octavio Tarquinio de Sousa).
_______________. Contos Populares do Brasil. Belo Horizonte: Editora Itatiaia, 2009. 201p. Coleção reconquista do Brasil. (2ª série).
Anexos
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Sílvio Romero

