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Breve história do prédio do Colégio Atheneu Pedro II
Quando Graccho Cardoso chegou à presidência de Sergipe, em 24 de outubro de 1922, determinou a realização de estudos para a construção de um prédio específico para o Colégio Atheneu Sergipense.
Os Grupos Escolares (modelos arquitetônicos combinados com um projeto pedagógico para o ensino primário) construídos durante a administração de Graccho Cardoso atendiam a um estilo padronizado, sempre identificados por “águias” de cimento colocadas ora no frontão central dos prédios, ora nas suas extremidades.
O presidente Graccho Cardoso alterou o nome do Colégio Atheneu Sergipense para homenagear o imperador Pedro II, pelo decreto nº 911, de 2 de dezembro de 1925. O vistoso palacete foi edificado em uma área considerável no local antes ocupado pelo quartel da força pública, na antiga rua da Aurora, renomeada avenida Ivo do Prado.
A construção consumiu meses de trabalho. Coordenada por Firmino Muniz Barreto, construtor contratado para realizar a obra, e fiscalizada pelo vice-diretor do Colégio, o engenheiro dr. Leandro Diniz, quando concluída passou a integrar o conjunto de imóveis pertencentes ao Estado, avaliada em julho de 1926 em 360:400$00.
O Colégio Atheneu Pedro II foi inaugurado numa chuvosa sexta-feira, 13 de agosto de 1926, na presença do presidente eleito da República, o dr. Washington Luís, e das autoridades locais, recepcionadas pelo dr. Alcibíades Paes, diretor da Instituição. Ao entrar, o ilustre visitante recebeu das mãos do vice-diretor do Colégio, dr. Leandro Diniz, a chave simbólica do prédio.
No início da década de 1930, o Colégio Atheneu Pedro II desempenhava um importante papel não só por reunir a esperançosa juventude sergipana, mas por aglutinar intelectuais e multiplicadores de uma nova mentalidade.
Em 1º de setembro de 1935, foi nomeado para a Direção do Atheneu Pedro II o professor Joaquim Vieira Sobral e para a Vice-Direção, o professor Florentino Menezes. Foram criados os Cursos Complementares que compreendiam o pré-politécnico, o pré-médico e o pré-jurídico.
Em razão do aumento de matrículas, pequenas reformas foram empreendidas a exemplo da instalação de uma fonte de água esterilizante em substituição aos antigos moringues de barro. O mobiliário das salas foi acrescido de novas carteiras duplas. Os laboratórios foram reformados, possibilitando o aumento do quantitativo de alunos.
Depois de duas décadas de uso, passando apenas por pequenas e pontuais reformas, as instalações físicas não atendiam à realidade da matrícula que cresceu significativamente.
Empenha-se, o mais possível, no momento, para construção do prédio do Colégio Estadual de Sergipe. Obra vultuosa, pelo custo, tendo em vista, uma edificação que atenda às exigências modernas da Educação Secundária, requer o melhor estudo possível para que se não projete uma construção cujas especificações possam colidir dentro em pouco com a nova orientação educacional. (Mensagem governamental enviada à Assembleia Legislativa em 1949)
Em 1951, o Colégio Estadual de Sergipe, deixou o prédio da av. Ivo do Prado. A transferência para a nova edificação da praça Graccho Cardoso atendia às necessidades e às demandas do crescimento do número de matrículas.
Sem os secundaristas, o prédio do velho Atheneu Pedro II passou a abrigar a Escola Técnica de Comércio. No tocante às condições de funcionamento e das instalações físicas, alguns reparos eram necessários. O governo disponibilizou em 1956 recursos para as melhorias e reforma do prédio, suplementando o orçamento do Departamento de Educação.
Para avaliar as condições físicas do Colégio Estadual, da Escola Técnica de Comércio, do Centro de Reabilitação e do Instituto de Educação Ruy Barbosa, em 1960, a convite do governador Luiz Garcia, esteve em Aracaju, em julho, o arquiteto baiano Rafael Grimaldi. O objetivo da visita era elaborar estudos de melhorias para as instalações físicas dessas instituições.
Para prover as necessidades técnicas operacionais, foi instituída a Fundação Educacional de Sergipe, responsável pela criação, instalação e manutenção dos estabelecimentos de ensino sem fins lucrativos. A Fundação foi parceira na criação do Ginásio Atheneu Sergipense, solução encontrada para o atendimento da demanda do Colégio Estadual. A criação de uma filial, o Ginásio Atheneu Sergipense, no prédio do antigo Atheneu Pedro II, ocupado pela Escola Técnica de Comércio, marcou o retorno à velha casa.
A instalação do Ginásio Atheneu Sergipense no imponente prédio recuperou para a sociedade sergipana a memória e a grandiosidade do imponente edifício. A elegância arquitetônica e a tradição voltavam a agregar valor ao ensino da maior instituição pública do Estado. O Ginásio só foi oficialmente inaugurado em 3 de junho de 1961.
No início da década de 1970, o prédio do Ginásio Atheneu Sergipense deixou de abrigar a instituição de ensino, passando a sediar várias instituições e órgãos públicos, como o Arquivo Público a e a Empresa Sergipana de Turismo – Emsetur.
Em 1976 o edifício foi restaurado para se transformar na Sede da Secretaria de Estado da Educação, permanecendo até 1996, quando o antigo prédio de modelo eclético fechou suas portas. Tombado pela esfera estadual, foi decidida sua restauração em 2008 a partir do estabelecimento de parceria entre o Banese e o Governo do Estado, através da Secretaria da Cultura.
A escolha da águia, expressão de força, poder, valentia e nobreza, como símbolo de governo é atribuída à visão avançada de Graccho Cardoso, uma visão ampla e com capacidade de realizar obras para o bem comum.
Josevanda Mendonça Franco
Historiadora
Anexos
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Águias
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Interior do prédio na década de 1940
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Interior do prédio na década de 1940
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Maurício Graccho Cardoso, presidente de Sergipe de 1922 a 1926
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O prédio na década de 1940
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Prédio do Colégio Estadual de Sergipe em 1955
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Prof. Joaquim Sobral, diretor do Atheneu Pedro II de 1935 a 1941 e de 1947 a 1951


