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Originalmente, bacamarteiro ou barcamatista é a denominação do militar integrante da infantaria do Exército Imperial Brasileiro, destacado na Guerra do Paraguai, referindo-se ao soldado que manuseava o bacamarte, uma arma de fogo de cano curto e largo, carregada com pólvora seca e com um poder de fogo mortal. Findo o conflito, o bacamarte passou a ser utilizado na defesa pessoal e da propriedade, notadamente no interior do nordeste brasileiro e, no período junino, quando as comunidades se reuniam para brincar, cantar, dançar, tirar versos e tomar uma boa pinga, era usado como desafio à valentia. Para atirar, o bacamarteiro adotava posições bem difíceis, ora com a arma sobre a cabeça, ora por baixo de uma das pernas, quando o bom atirador não cai com o arrojo da pólvora. Só os mais fortes conseguiam manter o equilíbrio nas posições desafiadoras que tomavam. O bacamarte se transformou em elemento de cena no ato de dançar, e seu canto é um convite para se encantar:
Sinhá é hoje que a palha da cana avoa...
Oi sinhá é hoje que ela tem de avoar!
Embora não possua personagens específicos, um grupo é formado pelos Atiradores; o Mestre do Apito, que coordena as descargas de tiro; as mulheres cantantes e dançantes do Samba de Coco; o Tirador de Versos ou Coqueiro; e os Tocadores, que se ocupam dos pandeiros, ganzás, reco-recos, onças ou ronqueiras. O Coqueiro apresenta seus versos respondidos pelas mulheres que também sambam com um gingado animado. O momento mais importante da apresentação é o da salva de tiros, a razão de ser do grupo. Quando atiram, nem cantam, nem dançam, pois, é o grande momento de suspense e reconhecimento com aplauso para os melhores atiradores. O espaço de sua apresentação é sempre um lugar aberto, para assegurar a integridade dos que assistem. A destreza em atirar põe em destaque os melhores atiradores, que provam quem é cabra da peste que não teme fogo. Estão presentes nos municípios de Capela, Carmópolis e General Maynard.
FONTES CONSULTADAS:
🕮 ALENCAR, Aglaé D’Ávila Fontes. Danças e Folguedos: Iniciação ao folclore Sergipano. Desenhos de Cláudia Endlein, Fotos de Marcel Nauer. Aracaju: Secretaria de estado da Educação do Desporto e Lazer, 1998. 320p.
Projeto Largo da Gente Sergipana: novo cartão postal de Aracaju. Instituto Banese, 2014.
Anexos
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Adobe Express - Bacamarteiros

