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Descrição
Em uma rodoviária
Uma moça foi viajar
E comprou umas pipocas
Para o tempo passar
Ela disse eu me assento
Comendo mato o tempo
Até o ônibus chegar
Ela aí se assentou
Em qualquer bando daquele
Tinha um rapaz assentado
Ela só olhou pra ele
E não prestou muita atenção
Com sacola na mão
Sentou-se bem perto dele
Ela comia as pipocas
Não olhava pra ninguém
Com a cara bem fechada
Parecia até um trem
E o rapaz nem ligava
Toda vez que ela tirava
Ele tirava também
Ele não julgava a moça
Ela ser tão mal assim
Nem também tava pensando
Que ela achava ruim
Também não puxou assunto
Comeram as pipocas juntos
Do começo até o fim
Ela então disse consigo
Eu vou levantar daqui
Mais este cabra safado
Vai ter que me ouvi
Já o ônibus vai chegando
Não deu tempo ela explodir
Saiu pisando em brasa
Naquele mesmo momento
Quando entrou no ônibus
Tomou logo o seu assento
E ao longo da viagem
Aquela simples bobagem
Machucava o pensamento
Ela dizia consigo
Aquele cabra não presta
Comeu as minhas pipocas
E agora o que me resta
É lembrar o tal sujeito
E sem menos ter um jeito
Para eu me vingar desta
E assim chegou em casa
Braba que só um canção
Quando desarruma a trouxa
As pipocas caíram no chão
Sabe o que aconteceu
As pipocas que comeu
Eram lá do cidadão
Eu pergunto aos leitores
O que foi que tu achou
Nesta pequena história
Que o poeta contou
Não precisa responder
Pense isto com você
Como foi que ela ficou.
Por Zezé de Boquim

