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Descrição
Ao escrever os seus versos
O poeta popular
Se inspira na Natureza
Logo começa a rimar
Da formiga ao elefante
Ele sabe versejar.
Por isso, caro leitor
Em versos vou relatar
A História do Cordel
E nesse livro narrar.
Onde se deu sua origem
Vou logo aqui lhe explicar:
Na Europa medieval
Surgiram os menestréis
Por serem bons trovadores
Às musas eram fieis
E prendiam seus livrinhos
Pendurados em cordéis.
Pois a palavra cordel
Significa cordão
Onde o Cordel era exposto
No meio da multidão
O trovador andarilho
Fazia declamação.
Eis a origem da nossa
Poesia Popular
Pro Brasil, os portugueses
Trouxeram algum exemplar
E pras novas gerações
Puderam então repassar.
Antes do folheto impresso
Surgiram os trovadores
Violeiros repentistas
Que eram os cantadores
Andavam de feira em feira
Cantando e dando louvores.
Já Silvino Pirauá
Teve boa inspiração
Passou da oralidade
Logo para a impressão
Pra registrar nos folhetos
Nossas coisas do sertão.
Ao longo do tempo a nossa
Poesia popular
Com seus temas variados
Pôde às massas informar
E cumpriu bem a função
De nosso povo alegrar.
O costume do cordel
Ser pendurado em cordão
Foi na era medieval
Porém, no nosso sertão,
No interior do nordeste
Não temos tal tradição.
Antigamente o poeta
Sofria perseguição
Da polícia e dos fiscais
Que iam cobrar o chão
Da feira, onde botava
Versos pra exposição.
E por isso o folheteiro
Pra fugir da ladroeira
Sobre uma malinha aberta
Botavam no meio da feira
Os folhetos pra vender
Prontos pra fazer carreira.
Outro aspecto do cordel
Eu quero aqui destacar
Falo da xilogravura
No folheto popular
Entalhada na madeira
Para as capas ilustrar.
Tem o cordel se moldado
Buscando sobreviver
E os poetas divulgam
O seu cordel pra vender
Na rede da internet
Pra tradição não morrer.
Por José Antônio dos Santos (revisado por João Firmino Cabral, Rouxinol do Rinaré e Antônio Klévisson Viana)

