Documento
Metadados
Descrição
PARTE I
Seguindo na mesma trilha
Falo num homem famoso
Que hoje tem sua estátua
De um passado bem honroso
Como o passado não volta
Vou falar sobre revolta
Do grande Fausto Cardoso.
Um cidadão sergipano
Nascido no interior
Um político de renome
Honesto e trabalhador
Que dele só resta o nome
A estátua o sobrenome
Mas teve imenso valor.
Em mil novecentos e seis
Foi eleito novamente
Para câmara federal
Em campanha abertamente
Isso contra o Monsenhor
Olímpio Campos falado
Que junto a outros políticos
Comandava o nosso Estado
Foram assim vários governos
No nosso pequeno estado
Posição e oposição
Confusão de cada lado
Foi na época Olimpista
Que teve grande conquista
O Monsenhor tão falado.
Enquanto que os sergipanos
Sofriam perseguição
Muitos votavam forçados
Nesse regime vilão
Surgiram assim muitas críticas
Em jornais da oposição
Criticando o Monsenhor
E um desses críticos era
O doutor Fausto Cardoso
Que não queria o poder
Nas mãos de um homem orgulhoso
Político mau e corrupto
Que de modo muito abrupto
Se julgava poderoso.
O governo reforçar
A guarda palaciana
Porém não pode evitar
Que em nove centos e seis
A polícia dessa vez
Fosse ao palácio atacar.
Ergueram a bandeira branca
Para que houvesse paz
Porque viram que a revolta
Da polícia era demais
Só assim ficou provado
Que soldado revoltado
Enfrenta até satanás.
Isso se deu na ausência
Do doutor Fausto Cardoso
Que ao retornar da viagem
Ficou muito desgostoso
Criou com grande conquista
O Partido Progressista
Que logo ficou famoso.
Logo aí houve a renúncia
De Olímpio e do irmão
Pois temendo os revoltados
Tomaram novas medidas
De salvarem suas vidas
Logo pra Fausto Cardoso
Foi entregue uma missão
Com a renúncia Olimpista
O honrado capitão
Da Marinha, o convidou
E então lhe confiou
Do palácio a direção.
Olímpio não conformado
Por haver sido deposto
Junto do seu aliado
Com muita mágoa e desgosto
Fazia um esforço amargo
Para voltar ao seu cargo
E assumir seu posto.
Fausto via os movimentos
Feitos pela oposição
Mesmo assim ele lutava
Em prol de sua missão
Que era lutar pelo povo
Com seu regime novo
De político cidadão.
PARTE II
Em vinte e sete do mês
Tropas vindas da Bahia
E também de Pernambuco
A fim de dar garantia
Ao governo popular
Pela força militar
Fausto feliz se sentia
O general pretendia repor
Trazer a Olimpio Campos
O cargo de governador
Porém Fausto relutava
Isso ele nunca aceitava
Achava aquilo um horror.
Quem quiser morrer comigo
Defendendo nosso Estado
Siga-me que eu vou na frente
Mesmo estando desarmado
Da minha parte eu resolvo
Pois o palácio é do povo
Vamos lutar lado a lado.
Subiram entusiasmados
Até o salão central
Já os guardas e soldados
Que vigiavam o local
Foram as armas disparando
E João Alfredo alvejando
Naquela hora fatal.
General Firmino Rego
Disse que doutor Fausto
Entrou no prédio atirando
Nem aos praças respeitando
Mas isso não foi verdade
Porque Fausto sem maldade
Nem armas iam levando.
Mas logo no baixo ventre
Foi o Fausto baleado
Mas ele mesmo ferido
Não se sentia abatido
Nem se mostrava humilhado.
Só um amigo marítimo
Na frente se apresentou
A fim de proteger Fausto
Mas um soldado atirou
De um modo tão traiçoeiro
O corpo do marinheiro
Naquela hora tombou.
Fausto com muita coragem
E com indignação
Olhando pra o general
Gritou com força e ação:
- Este exército de bandido
Mata um homem destemido
Que representa a nação.
Ouvindo aquelas palavras
Os soldados em seguida
Alvejaram doutor Fausto
Não houve bala perdida
Seu ventre foi perfurado
O corpo de um homem honrado
Ali tombava sem vida.
Dizem que ele já nas últimas
Por amigos foi levado
Pedindo um copo com água
Bebeu um gole apressado
Disse: - De mim ninguém mangue
De Sergipe eu bebo o sangue
Que ao meu foi misturado.
Foram as últimas palavras
Que Fausto pronunciou
Um homem que pelo bem
Dos conterrâneos lutou
Foi morto covardemente
Manchando com sangue quente
A terra que tanto amou.
General Firmino Rego
Se sentiu realizado
Empossou Guilherme Campos
Ao governo do estado
Olimpio Campos feliz
Olha o comandante e diz:
- General muito obrigado.
O crime não foi punido
Porém os filhos de Fausto
Cada um enfurecido
Só pensavam na vingança
E no pai falecido.
Escondidos numa esquina
Viram o Monsenhor passar
Atiraram com presteza
Vendo o seu corpo tombar
Assim foi feita a vingança
Porque quem espera alcança
Quem deve tem que pagar.
Hoje de Fausto Cardoso
Tem a estátua na praça
Um homem forte que foi
Vítima de tão vil desgraça
Mas seu nome permanece
O povo jamais esquece
Dum sergipano de raça.
Por João Firmino Cabral

