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PARTE II
Mas com isso o Conselheiro
Criou bastante inimigo
Principalmente os ricaços
Que viam nele um perigo
Então do nosso beato
Somente o pobre era amigo
Os fazendeiros diziam:
- Ninguém quer mais trabalhar
Assim nossa mão de obra
Quem iria executar?
Nas nossas roças não tem
Quem queira mais capinar.
Um juiz da região
Rico grande: fazendeiro
Criou um ódio maldito
Contra Antônio Conselheiro
O acusou de fanático
Assassino e desordeiro.
Mandou urgente uma carta
Ao governo da Bahia
Dizendo que no sertão
Um certo beato havia
Comunista e mantecapto
Que somente o mal fazia.
Com poucos dias chegaram
No arraial do beato
A ordem era arrasar tudo
Não deixar vivo nem rato
Não escutar bate boca
Nem ir atrás de boato.
Assim por todos os lados
O arraial foi cercado
Com uma chuva de balas
Foi morte pra todo lado
Então o povo romeiro
Viu que estava derrotado.
Se via beato morto
Que fazia compaixão
Mataram vários soldados
Mais o esforço era em vão
Era impossível vencer
Lutando contra o canhão.
Com tochas incendiárias
O arraial foi queimado
A labareda subia
Muito corpo mutilado
O povo Conselheirista
Na luta foi derrotado.
A igreja de Canudos
Na luta destruída
Todos dizimados
Naquela luta renhida
Além do povo romeiro
O beato Conselheiro
Na luta perdeu a vida.
Cortaram sua cabeça
Como prova de vingança
Um homem que só pensava
Na paz e na esperança
Não realizou seu sonho
O seu fim foi bem tristonho
Mas teve perseverança.
Hoje só resta o museu
Com as armas e o retrato
Daquele herói que lutou
Enfrentado um povo ingrato
Lutou por sua defesa
Alguém lembra com tristeza
Aquele santo Beato.
Por João Firmino Cabral e Ronaldo Dória Dantas
Anexos
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03-ANTONIO CONSELHEIRO-PARTE-II (1)

